CABANAGEM - 1835

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CABANAGEM - 1835

Mensagem por Bruno em Sab Jan 10, 2009 3:49 am

"Corajosos

Paraenses, valentes defensores da Pátria e da Liberdade! Depois de nove dias de

fogo mortífero com outras tantas noites, estamos senhores da formosa Belém,

capital da província! Os dois estrangeiros Manuel Jorge Rodrigues e João

Taylor lá se vão de fugida e duma maneira vergonhosa: o primeiro à frente de

seus aguerridos e briosos batalhões de voluntários, e o segundo à frente de

sua esquadra de intrépidos marinheiros! Esta cidade, que ainda há poucos dias

era governada por um presidente rebelde, apresentava um quadro risonho e

encantador. Girava o comércio, funcionavam todas as repartições públicas,

havia sossego, paz e ordem. Hoje o que vemos nós? Com dor o digo, esta tão

bela cidade, tão cheia de encantos, está reduzida a um montão de ruínas!

Para todas as partes, onde lançamos as nossas vistas, só vemos a imagem da dor

e da tristeza!




"Amados

patrícios! Seremos nós os responsáveis perante Deus por tantos males que hoje

pesam sobre o Pará? Certamente que não. Os dois monstros e fugitivos

estrangeiros Jorge e Tayior serão os únicos responsáveis diante do Ser

Supremo e perante a história, pelas grandes desgraças que hoje pesam sobre a

inocente família paraense! Amparo e proteção para milhares de famílias

inocentes, que neste momento estão sob nossa guarda! Seja cada um de vós um

pai, um protetor da inocência desvalida! Procedendo assim bem teremos merecido

da pátria e das gerações futuras.




"Meus

amados patrícios! Eu vos afiancei que o infame e opressor jugo estrangeiro

havia de cair por terra e que seríamos os vencedores. Realizaram-se os meus

bons desejos e gratas esperanças. Vós sois dignos do nome paraense! Vós

todos, soldados da liberdade, estais coberto de glória pelo vosso patriotismo,

valor e constância! Os nossos inimigos são os primeiros a confessar o vosso

valor e heroismo! Nos combates desesperados que sustentamos, eu fui o que menos

fiz: porém sempre me achei ao vosso lado e onde havia perigo. Era um dever de

honra a cumprir. A nossa obra ainda não está concluída, ainda resta muito a

fazer. Antes de tudo, peço-vos que modereis o vosso ardor guerreiro, e amanhã

ou depois teremos que aclamar um presidente que mereça a nossa estima, confiança

e respeito. Dignos chefes de todas as colunas, vós todos sois merecedores dos

maiores louvores e elogios pelo vosso valor, firmeza de caráter e lealdade.

Vivam os descendentes dos Ajuricabas e Anagaíbas! Vivam os paraenses livres!

Viva o Pará!"

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